domingo, 30 de maio de 2010

Trabalho na sociedade industrial vS trabalho na sociedade pós-industrial

Na era industrial do século XIX, os trabalhadores não tinham direitos políticos e pouca influência na definição das condições de trabalho. Os Sindicatos surgiram para os defender dos abusos do patronato e dos governos. O movimento sindical foi evoluindo através da tomada de consciência da classe operária, da sua capacidade organizativa e da natureza dos regimes políticos (democráticos).
Todavia, a partir dos anos 80, constata-se um enfraquecimento do poder sindical. Estamos na era "pós-industrial", como designam alguns economistas. Existem várias explicações para estas alterações.
As medidas neo-liberais introduziram no próprio sistema capitalista novos conceitos de trabalho, produtividade e terciarização. Assim, a inovação tecnológica, em particular a automatização e a informatização, reforçam a ligação entre o individualismo e a competitividade, pondo em causa a tradicional organização do trabalho. Além disso, o trabalhador qualificado provoca novas divisões de tarefas e novas tensões (melhores salários, mais regalias, promoção social). No entanto, as empresas têm o cuidado de oferecer formação contínua, geral e técnica, no seu interior, assim como os centros de emprego para melhorar a qualificação.
A homogeneização dos estilos de vida, através dos media e da cultura de massas contribuíram, também, para esbater a consciência dos vários grupos sociais/classes, nomeadamente dos operários, sem a qual a luta sindical perde sentido. Portanto, não se tratou apenas da redução do número de operários, mas também de esmorecimento de objectivos.
Nos países industrializados, na década de 80, verifica-se uma diminuição de operários. Os novos sectores industriais (inovação tecnológica) não absorvem a mão-de-obra, pouco qualificada, provocando a "marginalização do trabalho humano", e isto conduz ao aumento do trabalho precário, a contrato a prazo ou parcial, a situações de "candidatos a emprego" ou até ao desemprego, em especial entre a mão-de-obra não qualificada.
A mobilidade das empresas transnacionais, os fluxos imigratótios e a precaridade dos empregos explicam, também, a exploração do trabalhador e cada vez mais o seu despedimento.
No entanto, segundo alguns economistas e sociólogos, o decréscimo de trabalhadores operários não significa o declínio da indústria, há sim outra forma de organização das actividades produtivas: o sector primário retrai-se, enquanto o secundário prescinde de uma mão-de-obra não qualificada e substitui-a pela automatização e o sector dos serviços absorve a maioria da população activa e torna-se, cada vez mais, automatizada (computadores).

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