sábado, 29 de maio de 2010

A globalização


As novas tecnologias de informação e comunicação (TIC), a dispersão do processo produtivo e a livre circulação de bens, serviços e capitais minimizam o valor das economias nacionais face ao fenómeno da globalização (organização à escala mundial da produção e comercialização, mas também actividades, acontecimentos e decisões, com consequências para todos os indivíduos e comunidades, vivam elas em qualquer parte do globo, ou seja, interdependência da sociedade mundial). As economias nacionais ficam, por isso, cada vez mais submetidas a decisões mais alargadas.

Exemplo disso é o aparecimento do G7 (grupo dos 7 países mais industrializados) cujos chefes de estdo e de governo (e ministros dos negócios estrangeiros) debatem as grandes questões económicas, à escala mundial, para além de outras, igualmente importantes, como a droga, o branqueamento de capitais, ecologia e ambiente, desemprego, etc. No entanto, é entre a "Tríade" (as três principais potências industriais - EUA, Japão e UE) que se dá a luta pela hegemonia europeia.

Por outro lado, a entrada das ex-Repúblicas Populares, da Jugoslávia e da China para a economia de mercado veio dar um novo impulso ao comércio internacional. Assim como, a massificação/uniformização dos gostos que, através dos media e de campanhas publicitárias, são homogeneizadas tem facilitado, também, as trocas entre as várias regiões, embora, por outro lado, as tornem interdependentes: "Made in the World".

Deste modo, a economia global (que assenta na trasnacionalidade do capitalismo) tem como principais características:

- liberalização das trocas: os mercados nacionais são substituídos pelo megamercado global que se auto-regula através de mercados comuns (regionais), representados por organizações como a UE (Europa), a NAFTA (Canadá, EUA e México), Mercosul (Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai), a ASEAN (países do sudeste asiático) e a Comesa (países da África oriental e do sul). De forma a supervisionarem melhor o livre-trânsito de mercadorias, o GATT é substituído pela OMC (Organização Mundial do Comércio);

- alargamento do movimento de capitais e de investimentos, sendo frequentes as mobilizações de avultados investimentos, sob a foram de acções ou empréstimos, para este ou aquele mercado, que está em crescimento;

- novo conceito de empresa, que se adapta às mudanças económicas: são as trasnacionais ou multinacionais, cujo processo produtivo se dispersa, desde a fase de concepção, ao fabrico e comercialização, por diversas partes do mundo, procurando em cada uma delas as melhores condições (matérias-primas, mão-de-obra, impostos), ligadas entre si pelas redes de comunicação informática. No final do séulo XX existem cerca de 60 mil multinacionais, principalmente dos países da Tríade.

A globalização, porém, não fica isenta de críticas, apesar do crescimento económico que promove, como afirmam os seus defensores. Quem critica aponta-lhe: clivagem cada vez maior entre países ricos e países pobres, crescente desemprego que tem levantado questões sociais e fragilidade desse mesmo crescimento, pois são frequentes as crises, nomeadamente a partir das Bolsas (cotação de acções).

Desde 1999, que a contestação à globalização tem sido liderada pelo movimento alter-globalista e, desde 2001, em Porto Alegre (Brasil), reúne-se o Fórum Social Mundial, que vem a condenar a ganância pelu lucro e os danos ecológicos deste neoliberalismo. Propõem um desenvolvimento equilibrado ("sustentável") que não destrua o futuro do planeta nem desrespeite os direitos do Homem.

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