Desde que a Indonésia, em 7 de Dezembro de 1975, invadiu Timor-Leste o conflito assumiu foros de insolúvel: de um lado a Onu, Portugal e a Resistência Timorense reivindicavam o direito à autodeterminação do povo timorense, do outro lado o poderoso regime indonésio teimava que esse acto fora cumprido e a integração de Timor-Leste como 27ª província indonésia fora consumada. Mas em 1999 surgiu a oportunidade de um referendo.
A oportunidade decorreu da recessão económica de 1997/98, que atingiu duramente a Indonésia e desencadeou uma grave crise económica, social e política que levou à queda do presidente Suharto, substituído por Habibie, um indonésio que aceitou referendar Timor-Leste.
A descolonização que a revolução portuguesa de Abril de 1974 levou até Timor-Leste desestabilizou a surpreendida sociedade timorense. A perturbação e a expectativa geradas desembocaram, um ano depois, num conflito civil entre dois partidos independentistas (a UDT e a Fretilin), a que a mão indonésia não foi alheia.
A descolonização que a revolução portuguesa de Abril de 1974 levou até Timor-Leste desestabilizou a surpreendida sociedade timorense. A perturbação e a expectativa geradas desembocaram, um ano depois, num conflito civil entre dois partidos independentistas (a UDT e a Fretilin), a que a mão indonésia não foi alheia.
Quando a ONU discutia Timor-Leste na sua Assembleia Geral e uma solução negociada parecia possível, a Indonésia, por sua iniciativa e no desrespeito pela ONU , invadiu e a seguir ocupou e anexou Timor-Leste, num genocídio bárbaro e programado, continuado ao longo dos anos.
A denúncia e a censura da invasão e o reconhecimento do direito à autodeterminação pelo povo de Timor-Leste foram registados nas sucessivas resoluções da ONU entre 1975 e 1982. Mas o conhecimento da situação em Timor-Leste pela opinião pública mundial foi um processo mais tardio e moroso, marcado pelos factos mais mediáticos. Entre estes relevam a visita do Papa em 1989, a assinatura, em 1989, do acordo Timor Gap, entre a Indonésia e a Austrália, a prisão e a condenação do líder Xanana Gusmão, o massacre do Cemitério de Santa Cruz em 1992, a inrodução de jovens timorenses a partir de 1993 nas embaixadas esreangeiras em Jacarta pedindo asilo político, a atribuição do Prémio Nobel da Paz de 1996 ao bispo Ximenes Belo e ao político Ramos Horta.
Cronologia da libertação
21 de Maio de 1998 - O presidente indonésio, Suharto, resigna e é nomeado Jusuf Habibie.
5 de Agosto de 1998 - É aceite discutir a proposta indonésia de autonomia alargada.
27 de Janeiro de 1999 - Habibie declara que a rejeição da autonomia pode significar independência.
Abril de 1999 - Início das atrocidades das milícias em Liquiçá em Díli.
5 de Maio de 1999 - Acordo de Nova Iorque sobre a consulta ao povo de Timor-Leste.
11 de Maio de 1999 - Entrada da ONU (UNAMET) em Timor-Leste.
Julho/Agosto de 1999 - Recenseamento do povo timorense.
30 de Agosto de 1999 - Votação do povo timorense.
4 de Setembro de 1999 - Anúncio da vitória dos independentistas.
5 de Setembro de 1999 - Início dos ataques generalizados das milícias e dos militares indonésios.
6 de Setembro de 1999 - Libertação de Xanana Gusmão.
12 de Setembro de 1999 - Habibie aceita a entrada de uma força internacional em Timor-Leste.
15 de Setembro de 1999 - A Resolução 1264 do CS/ONU mandata a INTERFET (International Force for East Timor).
17 de Setembro de 1999 - Início da retirada dos militares indonésios de Timor-Leste.
20 de Setembro de 1999 - Desembarque da INTERFET em Timor-Leste.
27 de Setembro de 1999 - A INTERFET assume a segurança em Timor-Leste.
19 de Outubro de 1999 - O Parlamento indonésio desanexa Timor-Leste da Indonésia.
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