sexta-feira, 30 de abril de 2010

O fim da URSS

A liberalização introduzida por Gorbatchev a partir de 1985, permitiu a expressão de inúmeros descontentamentos e, particularmente, o surgimento das reivindicações nacionalistas. Seguindo a ideia de Gorbatchev, segundo a qual “as nações não podem nem devem decalcar a sua vida sobre o modelo dos Estados Unidos ou da União Soviética”, a URSS não interveio militarmente para silenciar as rebeliões, pelo que em praticamente todos os países do Leste europeu os líderes da confiança da União Soviética foram depostos, pondo fim ao bloco soviético.

Em 20 de Agosto de 1991 é assinado, em Moscovo, um novo tratado da União com o intuito de reforçar a autonomia das repúblicas em relação ao poder central. Na véspera, os conservadores reagem: Gorbatchev, de férias na Crimeia, é substituído por «razões de saúde» por um «Comité de Estado para o estado de urgência», integrando o vice-presidente Gennadi Ianaev, os ministros da Defesa e do Interior, o chefe do KGB. Carros blindados patrulham as ruas de Moscovo. Outros são enviados para os países bálticos. As liberdades fundamentais são suspensas. O Ocidente parece resignar-se à situação. Mas os Moscovitas reagem. Seguro da sua legitimidade eleitoral, Boris Ieltsine exige um apelo ao povo e aos soldados. Exército e KGB dividem-se. Os autores do putsh ficam isolados e três dias depois da sua coligação dissolvem-se. Um deles suicida-se, os outros dois são presos.

Em relação às consequências, Gorbatchev regressa a Moscovo, onde é censurado por ter protegido durante muito tempo os conspiradores. Ele defende-se com a tese de um consumismo renovado, mas Ieltsine, que surge como seu salvador, suspende o partido na Rússia. Em toda a União são confiscados os bens dos partidos comunistas que, imediatamente, são interditos. Em Outubro o KGB é dissolvido.
O putsh pretendia preservar a unidade da URSS, mas o seu fracasso acelera a sua decomposição. Todas as repúblicas declaram a independência. São assinados acordos sobre as fronteiras e um acordo económico bastante vago. Em Novembro nasce a CEI (Comunidade dos Estados Independentes) de que nem os países bálticos nem a Geórgia fazem parte. Em Dezembro, em Minsk, a Rússia, a Ucrânia e a Bielorrússia declaram que a URSS, «enquanto sujeito de direito internacional e geopolítico, já não existe». No dia 21 de Dezembro, a CEI adverte Mikhail Gorbatchev de que não poderá ser presidente de uma URSS desaparecida. Demite-se em 25 de Dezembro.

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