domingo, 18 de abril de 2010

A "Primavera Marcelista"

Em, 1968, Salazar foi substituído (em virtude de um acidente que o incapacitou) por Marcello Caetano (fotografia ao lado) no cargo de presidente do Conselho de Ministros. Perante a intensificação da oposição interna e das denúncias internacionais do colonialismo português, este afastamento por parte de Salazar parecia finalmente abrir as portas do regime à liberalização democrática.

Marcello Caetano subordinou a sua acção política a um princípio original de renovação na continuidade. Pretendia conciliar os interesses políticos dos sectores conservadores com as crescentes exigências de democratização do regime. Continuidade para uns, renovação para outros.

Numa primeira fase da sua acção governativa, empreendeu alguma dinâmica reformista ao regime, permitindo o regresso de alguns exilados, como o Bispo do Porto e Mário Soares; abrandando a repressão policial e a censura; concedendo alguma abertura à União Nacional (rebaptizada, na década de 1970, Acção Nacional Popular – ANP); mudando o nome à PIDE para DGS (Direcção-Geral de Segurança); concedendo o direito ao voto da mulher alfabetizada; legalizando movimentos políticos opositores ao regime; permitindo a consulta dos cadernos eleitorais e fiscalização das mesas de voto; e proporcionando a reforma democrática do ensino.

Foi neste clima de mudança, conhecido como «Primavera Marcelista», que se prepararam as eleições legislativas de 1969, onde a oposição pura e simplesmente não elegeu qualquer deputado. As eleições acabaram por constituir mais uma fraude. A Assembleia Nacional continuava dominada pelos eleitos na lista do regime, incluindo apenas uma ala liberal de jovens deputados cuja voz era abafada pelas forças conservadoras.

Acabadas as esperanças de uma real democratização do regime, Marcello Caetano viu-se sem o apoio dos liberais, e alvo da hostilidade dos núcleos mais conservadores, que imputavam à política liberalizadora a onda de instabilidade que, entretanto, tinha assolado o País. Desta forma, Marcello Caetano começa a dar sinais de esquecer a evolução e privilegia a continuidade: o movimento de contestação estudantil é repreendido pelo regime; intensifica-se a censura e repressão policial (nova vaga de prisões); alguns opositores, como Mário Soares, são novamente remetidos a exílio; Américo Tomás (77 anos e conotado com a ala ultra-conservadora) é reconduzido novamente ao cargo de presidente da Republica, por um colégio eleitoral restrito.

Alvo de todas as criticas, incapaz de evoluir para um sistema mais democrático, o regime continua, ainda, a debater-se com o grave problema da guerra colonial.

1 comentário:

  1. Um Conselho de Ministros não é um concelho.
    Não é admissível, um tão grande erro num aluno do 12ª ano.
    É favor corrigir.

    ResponderEliminar