Respondendo à sugestão do professor (comentário ao post anterior), vou agora apresentar algumas questões relacionadas com o maoísmo. Assim vou tentar descobrir se a filosofia de Mao Tsé-Tung contou com muitos apoiantes, tanto no ocidente como em Portugal, qual principal faixa etária em que se situavam esses apoiantes, entre outras curiosidades.
No início dos anos 60, Mao tem que fazer face a uma oposição crescente mesmo no seio da direcção do Partido Comunista Chinês. Perante o aparelho do partido, esclarecido pelos erros económicos do «Grande Salto em frente» e cansado dos excessos da ideologia maoista, Mao e a sua facção travam a luta contra o revisionismo, apoiando-se principalmente no exército e na juventude.
Em 1964, o culto a Mao e ao maoismo foi estimulado através da chamada Revolução Cultural (como já referi), movimento liderado principalmente por jovens, que tem como objectivo aniquilar todas as manifestações culturais que se afastassem do modelo socialsita de Mao. Foram também essencialmente os jovens quem dirigiu o «livro vermelho», base da revolução onde estavam reunidas citações de Mao e que era venerado como detentor da verdade absoluta.
Para responder com mais detalhe às questões postas, recolhi algumas citações que, na minha opinião, explicam bem esta temática:
«Os partidos e organizações da esquerda radical maoísta fazem parte de um fenómeno que se produziu ao mesmo tempo em partes significativas do globo, e que se filia, de maneira mais imediata, nos impactos provocados pelo conflito sino-soviético e pela revolução cultural chinesa.» Através desta citação podemos perceber que o maoismo não se confinou apenas à China mas se estendeu a todo o mundo.
«Em Portugal, a partir de finais da década de sessenta, o discurso de reivindicação pedagógica, proposto pelo PCP, foi sendo substituído pelas diferentes versões do activismo maoísta, também elas conflituantes entre si. O PCP (m-l) – através da sua estrutura estudantil, a UEC (m-l) – propunha a contestação dos métodos e dos conteúdos do ensino, procurando criar um ambiente de irrequietação que arrastasse o «estudante médio». Particularmente influente nos liceus de Lisboa, nas Faculdade de Ciências e no Instituto Superior Técnico, esta corrente era considerada pouco ousada pelos outros grupos, o que se explica em parte pela teoria que defendiam, nos inícios da década de setenta, acerca da existência de um período de «refluxo» no movimento estudantil, evitando processos que levassem à radicalização das camadas estudantis.»
«Fora dos meios estudantis, o MRPP foi também dos grupos que mais conseguiu penetrar nos territórios operários, nomeadamente na margem sul e na zona de Vila Franca de Xira e Alverca. Outros colectivos tiveram também expressão operária localizada, como é o caso da URML (Unidade Revolucionária Marxista-Leninista), na margem sul, CCR(m-l), também na margem sul, e do CRML (Comité Revolucionário Marxista-Leninista), no Sindicato dos Químicos. Um grupo que viria a atingir uma considerável fixação em algumas zonas operárias do norte e centro do país foi O Grito do Povo (mais tarde OCMLP – Organização Comunista Marxista-Leninista Portuguesa – após a fusão com os núcleos O Comunista). Aqui operaram-se muitos processos de «proletarização» – a chamada «implantação» –, envolvendo sobretudo jovens estudantes que decidem efectuar um percurso de mobilidade social descendente de modo a poder trabalhar politicamente em locais onde estava o «sujeito revolucionário» – as fábricas.»
Pela sua própria «natureza de classe», a entrada de elementos operários nas organizações era facilitada. Como diz João Silva (CCR m-l):
«A integração dos operários na organização era muito mais rápida. Porque partíamos da seguinte ideia: o estudante tem uma consciência pequeno-burguesa e, portanto, mais facilmente é permeável às ideias da burguesia. O operário não; tem a sua condição de classe. Também pode ser contaminado pela ideologia pequeno-burguesa mas tem outro potencial que deriva da sua posição na produção. O seu potencial revolucionário é maior. Desde que ele manifeste consciência de classe e combatividade, entra. Podia não saber muito de marxismo, depois aprendia. Agora, aos estudantes, era exigido que soubessem aquilo tudo e tinham de dar provas de coragem: fazer pinturas, distribuir panfletos. Coisas que os fizessem correr riscos, desde que controlados, claro.»
Em Portugal destacaram-se como principais apoiantes do maoismo, Durão Barroso, José Pacheco Pereira, Ribeiro dos Santos, Mariano Gago, entre muitos outros.
A China constituiu-se, naturalmente, como a grande referência dos grupos m-l neste período. A sua presença (e da luta asiática, em geral) fazia-se notar, por vezes, na própria propaganda anticolonial ou nos incentivos à revolução proletária.
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