Durante a década de 60, registou-se um crescimento exponencial do fenómeno da emigração. Estes emigrantes dirigiam-se, essencialmente, para França, RFA, Venezuela, Canadá e EUA.
Os motivos deste intenso movimento migratório foram, sobretudo, de ordem económica e demográfica:
Os motivos deste intenso movimento migratório foram, sobretudo, de ordem económica e demográfica:
- os países europeus, em fase de reconstrução da Segunda Guerra mundial, precisavam de mão-de-obra, a qual era paga com salários superiores aos que se praticavam em Portugal;
- o crescimento da população portuguesa dos anos 30 e 40 criou excedentes populacionais que a economia portuguesa não conseguia absorver;
- a partir de 1961, a emigração constituiu, para muitos homens, uma maneira de não participar na guerra entre Portugal e as colónias africanas.
Grande parte desta emigração fez-se de forma clandestina. A legislação portuguesa subordinava o direito de emigrar, colocando-lhe restrições, como a exigência de um certificado de habilitações mínimas a todos os que tivessem mais de 14 anos. Com o deflagrar da guerra colonial, juntou-se a estes requisitos a exigência do serviço militar cumprido, obrigação a que muitos se pretendiam eximir.
Para além destas medidas restritivas, o Estado procurou salvaguardar os interesses dos emigrantes portugueses, celebrando, no início da década de 1960, acordos com os principais países de acolhimento. Estes acordos permitiram ao país, receber um montante muito considerável de divisas: as remessas dos emigrantes.
Em consequência deste surto emigratório, a população estagnou. Certas regiões, em especial no interior, quase se despovoaram. O resultado deste abandono dos campos foi a diminuição da produção agrícola e o aumento da importação de bens alimentares. Apesar de tudo, a emigração trouxe também benefícios ao país. As remessas em divisas estrangeiras contribuíram, juntamente com as receitas do turismo, para atenuar o desequilíbrio das contas com o exterior.

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