
Nas últimas décadas do século XX, junto com a electrónica e a informática, desenvolveram-se as ciências da vida. Têm aplicações que vão desde a agricultura (transgénicos - organismos aos quais se adiciona um gene estranho), à medicina (clonagem - processos de criação de seres vivos geneticamente iguais), dando origem a novas indústrias e novas técnicas, como a biotecnologia (que já expliquei anteriormente).
Esta desenvolve-se através da engenharia genética, manipulação do material genético por processos bioquímicos, de que é exemplo o nascimento da primeira ovelha clonada, Dolly, em 1996, e a hipótese de estender esta experiência aos seres humanos. A genética tem evoluído categoricamente, nos últimos anos, e é responsável pela descoberta da composição dos códigos genéticos (genoma humano incluído), pela produção de transgénicos e pelo estudo de problemas ambientais.
Por outro lado, abre perspectivas para a prevenção ou tratamento de doenças através do uso de células estaminais (células embrionárias aplicadas na regeneração de órgãos).
O extraordinário progresso da biociência trouxe novos desafios, mas também novas questões: os limites éticos do conhecimento científico. Há vantagens e riscos potenciais para o Homem e para a Natureza que têm de ser ponderados. Por isso, Ciência e Ética têm de coexistir nas relações do Homem com a Natureza, nomeadamente no caso da clonagem humana.
O impacto mediático tanto provoca admiração como desconfiança, o que leva a reflectir sobre as fronteiras da ciência, dos cientistas, políticos, religiosos e do vulgar cidadão informado. Os que defendem a clonagem advogam as potencialidades que a medicina pode dar: a medicina regenerativa, transplantes. Os que condenam alertam para o perigo de ficar à mercê de objectivos eugenésicos (apuramento racial). Eu, pessoalmente, não tenho uma opinião completamente formada em relação a este assunto, uma vez que penso que a clonagem pode, por um lado, ser favorável para a saúde (através de transplantes, por exemplo), mas por outro, pode comprometer a individualidade.
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